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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A revolução no Egito depende necessariamente da internet

  • Por Pedro Doria 06/02

Na quarta-feira, os egípcios voltaram a ter acesso à internet. Foram cinco dias praticamente sem acesso à rede. A falta de Facebook, Twitter e outras redes sociais, no entanto, não impediu a população de ir às ruas. O uso dos meios digitais, portanto, foi supervalorizado?

Não.

É justamente o contrário: nenhum movimento político popular foi tão dependente da internet quanto a tentativa de revolução que corre no Egito.

(Até o fechamento desta coluna, na noite de sexta-feira dia 4, Hosni Mubarak seguia na presidência e o povo não arredava das ruas.)

Revoluções populares são complexas. Ainda mais quando surgem num repente sem líder determinado e objetivo claro por seguir. São também contagiosas. Quanto mais gente sai à rua num dia, maior será o número no dia seguinte. Todos comungam da impressão de que agora vai. O ditador pode descer com as forças de repressão – o Exército, a polícia secreta. Mas Mubarak não tem pleno controle destes. Tudo vira um teste de quem pisca primeiro.

Quando o movimento já estava nas ruas, não era preciso mais ter internet. O contágio social se dava pela televisão ou pela janela com vista para a multidão lá fora. Aí é fácil. O difícil, numa ditadura, é encontrar uma brecha para falar da insatisfação quando ainda não está claro se é seguro ou não conversar sobre o assunto.

É aí que entrou o Facebook.

Em 6 de abril de 2008, os trabalhadores egípcios ensaiaram uma greve geral reclamando dos aumentos excessivos dos preços dos alimentos. Greves são ilegais por lá. O movimento teve sucesso apenas parcial e a polícia foi em peso para as ruas. Os protestos foram parcos. Mas, provocados pelo tema, um grupo de jovens começou a debatê-lo no Facebook. É ali que tudo começou.

O diplomata Mohamed ElBaradei foi um dos primeiros a descobrir esse movimento incipiente. Gastou tempo para dominar as mídias sociais e ouvir o que seus jovens compatriotas diziam. E é por isso que terminou apontado como um dos líderes de consenso possíveis para a revolução.

Líderes mesmo, no entanto, são pessoas como a blogueira Nawara Negm, 37 anos. No dia a dia, ela trabalha como tradutora na TV estatal egípcia. Mas, na internet, onde é mais conhecida, o seu é um dos blogs mais lidos do país. E ela é uma das que mais se empenhou na revolta em curso.

Se parece improvisada, não foi. A jornalista Sawsan Al-Abtah, que escreve na imprensa árabe britânica, acompanhou o processo. Ela descreve como, na rede, a turma planejou. Traçaram cenários, discutiram mapas e caminhos pelas ruas, debateram abordagens, exigências. Havia um plano.

Os responsáveis pelo levante conheceram-se no Facebook, inspiraram-se por blogs, mas usaram meios mais discretos para seu projeto. E-mail, até encontros pessoais. A internet serviu para que as pessoas se encontrassem, mas não está escrito em nenhum lugar que, depois do encontro, o movimento precise continuar virtual.

Foi mais importante do que apenas o lugar do encontro. A rede inspirou. Conversando livremente, uma geração que jamais soube o que é liberdade plena criou na web um Egito paralelo, virtual. E encantou-se com essa ideia.

Nos primeiros dias da revolta, enquanto políticos e comentaristas debatiam o assunto na TV árabe, a blogueira Negm postou: “Eles não estão entendendo a gente.”

Não estavam mesmo.

A revolução egípcia começou na internet. Deve terminar com um acordo político, seja entre os grupos de oposição, seja com Mubarak encabeçando. Mas este tem dono. É o levante do Facebook.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

YouTube: músicas grátis são tão lucrativas quanto as pagas

  • 5 de fevereiro de 2011|
  • 11h04|
  • Por Tatiana de Mello Dias

Em um mundo onde é possível encontrar praticamente tudo de graça na web, as empresas que vivem de conteúdo precisam convencer as pessoas a pagarem por isso. Mas, para o YouTube, oferecer música de graça pode gerar tanto dinheiro quanto vendê-las. É o caso, por exemplo, do Spotify ou do aguardado Google Music.

Em entrevista ao Evolver.fm, executivos do YouTube disseram que o site gera mais dinheiro às gravadoras do que aos serviços pagos — cerca de 200% a 300% de crescimento nos lucros gerados. Isso está acontecendo por vários motivos: aumento de tráfego, especialmente em celulares, melhorias na publicidade, que está mais eficiente e à inicitivas como o Vevo.

“Nossos maiores parceiros de música no site estão fazendo milhões de dólares por ano”, disse Chris Maxcy, diretor de parcerias do YouTube.

Para o YouTube, as empresas normalmente se preocupam apenas com o valor da música paga — por download e streaming — versus valor da publicidade.”Mas você precisa considerar não apenas o preço, mas a escala de audiência que alcançará com aquilo”, diz Phil Farhi, diretor de produto da equipe de monetização do YouTube.

“Se você presta atenção nos números da Lady Gaga, o número de views que ela tme no YouTube contra o que ela tem no iTunes, óbvio, um download único no iTunes irá pagar mais do que um único view no YouTube. Mas, se você olha para o tráfego – o número de pessoas que estão voltando e assistindo aos vídeos dela várias vezes, assisitndo e depois baixando seus sons, ou descobrindo novas músicas – você pode ver como essa escala pode compertir com um serviço pago”.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A rede social de desempregados

Por Tatiana de Mello Dias

Está desempregado? Existe uma rede social para você: o Parobook. Em vez das atualizações de status com frases de efeitos, filmes ou reclamações, o Parobook tem pedidos de emprego em várias áreas. O nome vem de “parados” (desempregados em espanhol).

O site é novíssimo mas, segundo o El País, já faz sucesso. A cada minuto sete novos usuários são registrados.

A aparência é igual a do Facebook, exceto pela cor. Além disso, a rede social permite saber quem visitou o perfil. Os criadores planejam novidades, como criar áreas para incluir, por exemplo, o currículo nos perfis.

A ideia, segundo os criadores, não é competir com o LinkedIn — mas, sim, fazer com que “os desempregados não se sintam sozinhos na luta”.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Ninguém derruba o WikiLeaks

Por Agências

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, disse que gosta de ver os bancos se contorcerem ao imaginar que eles podem ser os próximos alvos de seu site, que já publicou segredos da diplomacia e do exército norte-americanos.

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“Acho ótimo. Temos esses bancos todos se contorcendo, achando que talvez sejam eles”, disse Assange ao programa de TV 60 Minutes, da emissora CBS.

A emissora divulgou na sexta-feira, 28, parte da transcrição do programa que irá ao ar neste domingo.

As ações do Bank of America caíram mais de 3% no dia 30 de novembro do ano passado, quando investidores temeram que o maior banco dos EUA fosse vítima de algum vazamento de documentos.

O entrevistador Steve Kroft perguntou a Assange se ele tinha um HD de 5 gigabytes que pertencia a um dos executivos do banco, como ele mesmo já havia afirmado.

“Não farei nenhum comentário sobre o que iremos publicar”, disse o fundador do site, que está numa espécie de prisão domiciliar na Inglaterra, à espera de uma audiência de extradição para a Suécia sobre uma acusão de teor sexual que ele nega.

Assange disse à revista Forbes que o WikiLeaks planeja um “megavazamento” ao publicar dezenas de milhares de um grande banco norte-americano no início de 2011 que faria o banco ser investigado.

Em uma entrevista em outubro de 2009, ele contou à Computerworld que o WikiLeaks tinha obtido 5 gigabytes de dados de um HD de um executivo.

A entrevista da Forbes foi publicada logo que o site tornou públicos 250 mil documentos relativos a conversas entre o corpo diplomático norte-americano. Anteriormente, o WikiLeaks havia vazado quase 500 mil arquivos considerados top secret em relação às guerras do Iraque e do Afeganistação.

O vazamento dos documentos diplomáticos renderam várias manchetes pelo mundo, e revelaram que líderes da Arábia Saudita exigiram ação militar norte-americano contra o Irã e detalhavam contatos entre diplomatas norte-americanos e políticos dissidentes e de oposição em alguns países.

Assange disse ao 60 Minutes que ele espera retaliações pesadas dos EUA, mas que o governo americano não conseguiu derrubar seu site.

“Os EUA não têm a tecnologia para derrubar o site… Devido à forma como a nossa tecnologia foi construída, como a internet foi construída”, disse.

“Fomos atacados em alguns domínios particulares. Pequenas peças de infraestrutura foram derrubadas. Mas agora temos cerca de 2.000 sites completamente independentes, em que publicamos em todo o mundo. Quer dizer, é impossível nos derrubar”.

O site afirma ser uma organização sem fins lucrativos fundada por ativistas de direitos humanos, jornalistas e pelo público em geral. Lançado em 2006, o WikiLeaks promove o vazamento de informações para lutar contra a corrupção governamental e corporativa./REUTERS

Qwiki, a enciclopédia multimídia

Em meados de 2009, Doug Imbruce teve uma experiência frustrada tentando absorver informações sobre Buenos Aires, pois se preparava para viajar para a cidade argentina. Achou muita informação, mas nada exposto de uma maneira “natural”, agradável. Aquilo foi o que o motivou a criar não mais uma ferramenta de busca, mas uma vitrine humana e bonita para as toneladas de dados disponíveis na web.

Imbruce se uniu a Louis Monier, que havia participado da criação do buscador AltaVista, alguns investidores, mudou-se para Palo Alto, no Vale do Silício, Califórnia, e deu vida à sua ideia. Disso nasceu o Qwiki, uma enciclopédia digital feita sob alta carga multimídia, com texto, vídeos, fotos e narrações em áudio. Tudo se passa em uma espécie de apresentação, como se alguém estivesse contando para o usuário o que é aquele verbete e ao mesmo tempo mostrando fotos e filmagens sobre o tema (proposta inicial de Imbruce).

Na quinta-feira, 20, da semana passada o site voltou a ser comentário da mídia pelo anúncio de que teriam levantado cerca de US$ 9,5 milhões, durante uma rodada para angariar fundos de investimentos para o site. Mas a principal notícia foi a de que o maior investidor era Eduardo Saverin, o brasileiro que participou da criação da rede social Facebook, ao lado de Zuckerberg, e atual dono de 5% das ações da empresa.

O site faz uso de informações do Google, Wikipedia, imagens do Fotopedia e vídeo do Youtube e permite que o “verbete” seja embedado (replicado em outro site por código HTML), ou compartilhado via Twitter, Facebook e email. Para facilitar, o Qwiki criou o seu próprio encurtador (“qwi.ki”), e tem um mini-link para cada um dos “qwikis” criados.

Desde outubro do ano passado, o Qwiki estava disponível apenas para usuários convidados (o Link foi um deles). Nesta última segunda-feira, 24, o site abriu as portas – ou melhor, as janelas – para o público em geral. Na “nova versão Alpha”, os criadores pedem ainda por mais feedbacks (além dos já recebidos durante o período de teste de amigos), visando melhor o empreendimento.

Sobre cada “qwiki” (o nome dado aos verbetes) há uma janela escrita “Improve this Qwiki” (melhore este Qwiki), que abre outra permitindo que o usuário sugira uma foto, um vídeo, indique palavras narradas erradas ou comente se a velocidade da narração (uma voz feminina bem confortável de ser ouvida) está rápida ou lenta demais. Tem até um sistema de estrelinhas, para a avaliação qualitativa de cada verbete.

Em um artigo para a Newsweek, Imbruce, o CEO do Qwiki, comentou sobre a sua criação e analisa que, para ele, “a história da web tem sido dominada pela busca”. Partindo disso, ele conclui que ferramentas que melhorem essa atividade pode ser o negócio do futuro. “O Qwiki pode estar no próximo capítulo”, diz.

Já visitou o Qwiki? Vai lá.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O futuro do entretenimento passa pela TV – e pela internet

  • Por Pedro Doria

Se o assunto era TV, na Consumer Eletronics Show (CES), a maior feira de dispositivos digitais do mundo que ocorreu no início do ano, então a resposta parecia ser 3D. Nos stands de fabricantes havia inúmeras alternativas para a tecnologia – até mesmo uma que dispensa os óculos, da Toshiba.

Enquanto isso, só uma versão da Google TV estava lá, fabricada pela Samsung.

A indústria às vezes é assim. Míope.

Não é que não exista um mercado potencial para TVs capazes de transmitir vídeo em 3 dimensões. Deve ter. Mas é coisa ainda distante no futuro. Só existem um punhado de filmes neste formato. Seu potencial maior, que está na transmissão de esportes, exigirá das emissoras um investimento em novas câmeras inacreditavelmente alto. Não começou a ser feito. Não assistiremos às Olimpíadas de Londres em 3D, dificilmente à Copa do Brasil. Quem sabe, com otimismo, às Olimpíadas do Rio.

Enquanto a CES ocorria, Rich Greenfield, um analista da consultoria Pali Capital, de Wall Street, jogou no YouTube um vídeo. Atende pelo prosaico nome de “Como Roubar Qualquer Filme Que Você Queira na Web”.
Por que um analista de Wall Street criaria um guia para piratear filmes na internet? Porque ele é pago para revelar fragilidades da indústria.

Há até não muito tempo, para copiar um filme ilegalmente era preciso paciência e sorte. Paciência para descobrir e baixar via um sistema razoavelmente complexo de compartilhamento de arquivos como o Bit Torrent. E sorte para conseguir uma cópia de boa qualidade e sem vírus.

O vídeo de Greenfield mostra como isso mudou. Hoje, uma série de sites listam os filmes à disposição de quem quer vê-los. Não ficam só nessa: também resenham os arquivos, comentando sobre sua qualidade. Só baixa um filme sem nitidez quem quer. E não é preciso saber o que é Bit Torrent. Para baixar, sabendo quais os sites certos, basta saber clicar um ou dois links e o download se inicia.

Só havia um modelo de Google TV à disposição dos visitantes da CES porque a indústria do cinema e da televisão está boicotando equipamentos que ligam internet e televisão. Não é só o Google que sofre com isso. A Apple TV também é vítima do boicote. A locadora online Netflix, idem.

A indústria cria dificuldades porque não quer a TV pela internet. Para começar, ela rompe a grade. Se o espectador assiste o que quiser, quando quiser, não há mais horário nobre para cobrar caro em comerciais.
E surgem intermediários sobre os quais a indústria não tem controle. Nos EUA, no Brasil, na Europa, na Ásia, os mesmos conglomerados produzem o filme ou série e vendem a TV por assinatura. Nenhum destes grupos quer Google ou Apple ou qualquer outro no meio para quebrar a intermediação.

É onde entra o manual de pirataria de Rich Greenfield. No fundo, se o público está baixando seus programas pela internet, há duas opções. Uma é vender. Outra é não vender e assistir resmungando a pirataria crescer.
No momento, dificultando a vida das Google TVs que existem por aí, estão optando pela segunda opção.

Esta é uma dança que não para por aí. Uma televisão é, no fim das contas, só um grande monitor. Ela vem cheia de tecnologia: entradas, protocolos, seletor de canais. No mundo das Google TVs, não seria preciso. Compramos uma só televisão excelente que vai durar anos. É só um monitor. E mudamos a caixa, bem mais barata, de tantos e tantos anos. As entradas para os novos aparelhos estão lá. Os novos protocolos, idem.
Também para a indústria dos eletrônicos é um desafio.

MySpace: ladeira abaixo

Por Redação Link

Na semana passada, enquanto o Facebook negociava um investimento de US$ 500 milhões com o Goldman Sachs, o MySpace, que já foi a rede social mais popular do mundo, anunciava a demissão de aproximadamente 500 dos quase 1.100 funcionários. Foi o corte mais drástico já feito na companhia, que vem enfrentando dificuldades, e talvez seja o prenúncio da venda do site pela News Corporation, que o comprou em 2005 por US$ 580 milhões, depois de uma guerra de ofertas com a Viacom.


Bons tempos. O dono da News Corp., Rupert Murdoch, e os criadores do MySpace, Tom
Anderson e Chris de Wolfe (PHIL MCCARTEN/AP)

O declínio do MySpace é mais um exemplo da fragilidade desse tipo desse tipo de serviço, que vai da sensação ao sumiço em um instante. Segundo a comScore, o site tinha 54,4 milhões de usuários no final de novembro, depois de perder mais de 9 milhões deles em relação a 2009. “O MySpace era uma grande festa, mas a festa mudou de lugar”, disse Michael J. Wolf, ex-presidente da MTV Networks da Viacom. Em termos gerais, o declínio do MySpace lembra o infeliz pacto concluído pela AOL com a Time Warner: uma empresa de internet de grandes ambições, vítima de um choque de culturas, precipitado pela fusão num grande conglomerado de mídia. Surgiu então um concorrente com uma tecnologia melhor.

Agora, a News Corp. estuda a possibilidade de vender todo o site, pondo um ponto final a um negócio que, na realidade, nunca funcionou. Até Tila Tequila, modelo e rapper que, em 2006, foi chamada pela revista Time de rainha do MySpace, deixou o site e hoje prefere o Facebook. “Minha paixão pelo MySpace acabou”, disse, acrescentando que nem lembra mais a senha.
O MySpace nasceu como filial da News Corp. com o mesmo tipo de estardalhaço que agora cerca o Facebook. Rupert Murdoch, seu presidente, foi imediatamente saudado como um visionário digital. Quando Sumner M. Redstone, acionista que controla a Viacom, perdeu na briga para Murdoch, comentou que foi uma “experiência humilhante” e e demitiu Tom Freston, diretor-executivo da Viacom, por não ter comprado o site.

Murdoch foi um dos primeiros defensores do MySpace e de seus fundadores, Chris DeWolfe e Tom Anderson. Costumava convidá-los para longas conversas em seu rancho em Carmel, na Califórnia, sobre o futuro da mídia e frequentemente intervinha pessoalmente facilitando o seu acesso pela hierarquia da News Corp.para agilizar as decisões. Em 2007, quando Murdoch pôs os olhos na Dow Jones e na joia daquela coroa, o Wall Street Journal, parou de se concentrar na sua antiga obsessão.

Outro indício do choque cultural foi a decisão da News Corporation de mudar o escritório do MySpace de Santa Monica, onde os funcionários trabalhavam num loft e tinham acesso a inúmeros restaurantes e cafés, para um edifício em Beverly Hills, projetado para ser um hospital. Havia bem menos restaurantes por perto, e os funcionários começaram a sair do trabalho antes da hora para comer, voltando somente no dia seguinte.

Pesadão. Ao mesmo tempo, milhões de usuários abandonaram o site. Sua estética ficou pesadona e sem graça diante do Facebook, com sua interface simple.

Como muitos americanos, Erin Polley, de 29 anos, que trabalhava para uma organização sem fins lucrativas em Indianapolis, começou a frequentar redes sociais, anos atrás, no MySpace. E como muitos americanos, ela migrou. “Para mim, o site foi uma espécie de precursor do Facebook”, disse Erin, acrescentando que não entra no MySpace há anos porque “toda vez que fazia login, havia só mensagens de bandas das quais mal tinha ouvido falar”. “O Facebook permite conectar-se com pessoas reais, e não com bandas e celebridades”.

A pressão para ganhar dinheiro, em vez de investir em tecnologia e no aumento do número de usuários, pode ter determinado o fim do MySpace. “A questão é : quando você se preocupa com o crescimento, e quando com o dinheiro?”, disse DeWolfe. “Nós nos concentramos no dinheiro, e o Facebook se concentrou em aumentar o número de usuários e na experiência dos usuários”.

Inicialmente, a News Corp. anunciou o ambicioso objetivo de gerar US$ 1 bilhão de receitas, que não conseguiu cumprir. Um acordo de publicidade de US$ 900 milhões com o Google garantiu que a News Corp. recuperasse o dinheiro da compra, mas mais recentemente o desempenho do MySpace tem sido fraco. No último trimestre, a divisão que inclui o MySpace informou um prejuízo operacional de US$ 156 milhões.

Oposto do ‘Feice’. “Os prejuízos não são aceitáveis nem sustentáveis”, disse Chase Carey, número 2 da News Corp. O Facebook adotou a tática oposta. Recusando os bilhões da venda eventual a uma empresa maior, preferiu aumentar o número de usuários e melhorar o site, além de atrair investimentos, mantendo o controle quase total do site.

Embora o MySpace e sua joint venture com importantes empresas musicais, a MySpace Music, continuem funcionando como vitrine para bandas e músicos, até esse nicho está sendo alvo de ataques. Andy Suzuki, autor e cantor, fundou sua banda em 2006, quando estudava em Boston, e abriu uma página no MySpace. Recentemente, transferiu a página da banda para o Bandcamp, que reúne artistas independentes. “O MySpace era um lugar em que as pessoas podiam ouvir nossa música de graça. Mas quando começamos a ganhar popularidade, ficou evidente que ele estava cheio demais.”

Depois de várias tentativas de revitalizar o site – com mudanças na direção, demissões, mudança de rumo de rede social para entretenimento e um novo design, no final do ano passado – a companhia não é mais considerada concorrente do Facebook. No entanto, a trajetória do MySpace poderá ser instrutiva para o Facebook. “Essas empresas costumam obedecer a um ciclo”, disse Wolf, o ex-presidente da MTV, que já vez tentou comprar o Facebook para a Viacom. “Muitas pessoas se perguntam se o mesmo vai acontecer com o Facebook”.

Tim Arango/The New York Times (TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A CES dos tablets inaugura uma briga de formatos

  • Por Pedro Doria - 9 de janeiro

A CES transformou-se, ao longo dos anos, na mais importante feira para anúncio de produtos eletrônicos do mundo. Este ano, como qualquer reportagem sobre a feira logo dirá, é o ano dos tablets. De fato, há uma penca deles sendo apresentados. O que poucos estão lembrando é que, em 2010, na mesma CES, os destaques também foram os tablets. A diferença é que, de todos os produtos anunciados há um ano, quase nenhum chegou ao mercado.

O que ocorreu, evidentemente, foi o iPad. Quando a Apple o apresentou, seu tablet era muito melhor e mais barato do que o dos concorrentes. Todos tiveram que voltar às pranchetas e calculadoras para refazer o trabalho.

No final do ano passado, a Samsung adiantou-se às rivais lançando seu Galaxy Tab. É um produto bacana. Mas, perante alguns dos novos modelos apresentados esta semana, caso do elegante Motorola Xoom, ela pode ter problemas.

O que faz a diferença é HoneyComb, a versão 3.0 do sistema operacional Android. Apressada, a Samsung usou o Android para celulares. Lançou o produto primeiro. Mas não vai conseguir aproveitar das benesses que vêm com a nova versão. Os rivais se deram bem.

Se dá para acreditar no vídeo divulgado pelo Google, o novo Android para tablets faz bonito mesmo perante o iPad. As páginas dos livros eletrônicos viram como se fossem de papel, Gmail e YouTube foram otimizados para o aparelho, ele permite chats em vídeo e o Google Maps vem com opção 3D.

Outra diferença é o formato da tela. O Galaxy Tab tem uma tela com proporção 16 x 9. É a mesma do cinema widescreen. A tela do iPad é mais próxima do quadrado, 4 x 3. Fotografia usa muito. A maioria dos tablets anunciados na CES seguem o padrão Apple.

Isso faz toda a diferença para os desenvolvedores. Eles terão alguns sistemas operacionais com os quais lidar. O da Apple e o Android, por certo, mas também Blackberry, Windows e WebOS, da HP, que alimenta os antigos Palms e virá para o mundo dos tablets. Para o consumidor, tablet útil é tablet que tem muito aplicativo e muito conteúdo. Para ter muito aplicativo e conteúdo, é preciso que revistas, jornais e programadores adaptem seu material.

Adaptar uma revista ou um aplicativo a formatos diferentes de tela dá trabalho. Se quase todo o mercado vai de 4 x 3, este será o padrão. A Samsung apostou no cinema mas pode terminar perdendo mais esta.
O que nos traz de volta à questão dos sistemas diversos. O iPad é tão bom, já abocanhou um pedaço tão grande do mercado e já tem tantos programas feitos para ele que a Apple pode se sentir tranquila de que é uma eleita. O Android é aberto, foi escolhido por muitos fabricantes importantes – Samsung, Motorola, Sony etc. – e, nos EUA, já é líder nos smartphones. Apple e Google são as forças dominantes deste mundo.

Há espaço para um terceiro sistema? Haverá programas para tablets Windows, HP-WebOS e Blackberry?
A RIM, fabricante do Blackberry, aposta que quem já usa seus telefones preferirá seu próprio tablet. (A crítica diz que a bateria dele, o PlayBook, tem vida curta.) O novo sistema para celulares da Microsoft, Windows Phone 7 é bonito que só – o Surface, apresentado na CES, é só um protótipo. E o WebOS ainda é uma incógnita. Será o último a sair, antecipa-se um fracasso…

Ambas, RIM e Microsoft, têm um desafio e tanto: cavar espaço neste terreno que Apple e Google querem dominar. Para isso, precisarão convencer muita gente que vale desenvolver para seus sistemas. Nos anos 1980, foi justamente esta guerra que Bill Gates venceu contra Steve Jobs, transformando primeiro o MS-DOS, depois o Windows, em padrão dos PCs. E agora?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Língua chinesa deve passar inglês em 5 anos

Por Murilo Roncolato

A internet se aproxima dos seus 2 bilhões de usuários ao mesmo passo que o idioma pela qual nasceu está ameaçado de perder a hegemonia na rede.

Nos próximos cinco anos a língua chinesa vai passar o inglês e será a dominante na internet. Essa é a previsão do The Next Web baseada em tendências retiradas da observação de dados sobre o uso dos diferentes idiomas nos últimos 10 anos. Dados de 2010 mostram que 27,3% dos usuários de internet usam a língua inglesa para se comunicar (aumento de 281,2% nos últimos 10 anos), enquanto 22,6% o fazia em chinês (crescimento de 1.277,4% entre 2000 e 2010; 36 milhões só no último ano).

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Atualmente são 445 milhões de pessoas falando em chinês na rede, enquanto no idioma inglês esse número é de quase 537 milhões (tendo a China mais de 1,3 bilhões habitantes), uma diferença de 92 milhões. O prognóstico de cinco anos é possível ser feito em função da penetração da internet entre os falantes da língua. Com a língua inglesa é de 42%; já o chinês tem 32,6%. A conclusão que se tira disso é que o idioma chinês tem mais espaço para se expandir do que o seu “rival”.

Confira o infográfico criado pela TNW:

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

“O PC morreu e ninguém percebeu”

Por Alexandre Matias

O escritor norte-americano Bruce Sterling esteve no Brasil na semana passada e foi entrevistado pelo Link.

Na retrospectiva que estamos fazendo no Link, elegemos três assuntos com os principais temas de 2010: Facebook, geolocalização e aplicativos. Você concorda com a escolha? O que estas três tendências têm em comum?
O que há de importante sobre essas três coisas é que nenhuma delas precisa do sistema operacional da Microsoft. Por um bom tempo, ter um computador dizia respeito apenas ao sistema operacional e ao processador. E o Windows criou uma simbiose com fabricantes de chip: lançava um sistema operacional logo que um processador mais rápido chegava ao mercado. E isso tornou-se sufocante, não havia mais nenhum entusiasmo. E até a Microsoft teve um hit neste ano, com seu dispositivo de detecção de movimento, como é o nome mesmo…

Kinect.
Kinect! Kinect é o aparelho eletrônico doméstico que mais vendeu em todos os tempos – e está vendendo duas vezes mais rápido do que o ex-detentor desse título, que era o iPad. E o que há em comum entre Kinect e iPad? Eles não têm nada a ver com os velhos computadores. Quando coisas assim aparecem, eu procuro o que morreu. Se as pessoas estão olhando para aplicativos, geolocalização e redes sociais, em que elas pararam de prestar atenção? O computador pessoal morreu neste ano e ninguém percebeu. Qual é a definição de computação pessoal: eu tenho um computador e ele é meu e tem todas as minhas coisas! Se você oferecer um desses para alguém hoje, um computador em que você não pode entrar na internet, nem compartilhar nada, que só serve para processar dados e, sei lá, editar filmes… Mesmo que ele seja ótimo, ninguém vai querer! Talvez se você pagasse, alguém teria o computador verdadeiramente pessoal.

Você definiu o Facebook como uma favela…
Sim, como as favelas brasileiras, devido à organização política. Ninguém imaginava que ele cresceria tanto, que funcionaria desse jeito, não há um modelo de negócios e ele está crescendo cada vez mais, só no boca-a-boca. Não tem outdoor, programa de TV…

Há o filme.
É, mas o filme não vai fazer ninguém entrar no Facebook. E, principalmente, o Facebook é gerido por um moleque de 26 anos que age como… um cacique (fala em português). É estranha essa estrutura tão grande online, mas ela não é tão incomum se você pensa em termos de cidades, daí a comparação com favelas e metrópoles do terceiro mundo, que crescem sem planejamento.

Então, de certa forma, o mundo está mais terceiro-mundista?
Não sei se terceiro-mundista, pois há favelas no mundo todo. A internet cresceu de forma muito rápida e usa estruturas muito próximas às de casas de lata – junta o que tem à mão, coloca tudo no mesmo lugar e vê se funciona. Se não funcionar, começa do zero. Tudo é beta o tempo todo, o novo é construído sobre o velho, não importa se vai aguentar o peso, se haverá deslizamentos, spam, pornografia, pirataria. Tudo o que você quiser está lá. De vez em quando tem uma batida policial, “vamos derrubar os serviços de compartilhamento de arquivos”. Talvez alguém vá preso, mas quando a polícia vai embora, tudo volta a ser como era. Cada um usa a internet como achar melhor, por isso há uma estrutura semelhante à de uma favela. Não é uma favela literal, mas uma favela cultural.

E como a estrutura do digital afeta o resto do mundo?
Hoje essas estruturas são simbióticas, não somos mais inocentes como éramos antes. O que acontece no mundo digital tem consequências ainda mais graves no mundo real do que antes. Um dos temas deste evento que me trouxe ao Brasil (o festival Arte.mov) é a relação entre arte eletrônica e contexto urbano. Veja um exemplo: pergunte a um jovem, entre 18 e 25, se ele prefere um carro ou estar no Facebook. São escolhas excludentes, quem tiver um carro não entra no Facebook e vice-versa. Tenho quase certeza de que ele escolherá o Facebook. Carros serviam para ir até onde as garotas estavam. Agora basta ir ao Facebook. Além disso, as pessoas estão deixando de gostar de carros pois não dá para usar aparelhos eletrônicos enquanto se dirige. É melhor ir de ônibus usando seu iPhone ou iPad, pois você consegue fazer mais coisas no tempo de locomoção. Essa é uma mudança enorme. Meu amigo Adam Greenfield disse há dois anos que o dispositivos portáteis mudariam mais a cidade do que os carros mudaram. E os carros mudaram as cidades de forma profunda. Quando eu ouvi isso, pensei que era um hype forçado. Mas hoje vejo que ele estava certo.

Isso vai acontecer rápido?
Depende. Talvez baste uma grande crise, seja em energia, combustíveis, exportações, não importa, para as pessoas, preferirem redes sociais a carros. E eu acho que há uma tendência que é o consumo colaborativo: vamos compartilhar objetos físicos via redes sociais. Por exemplo, eu quero pegar um carro, encontro alguém disposto a emprestá-lo, acho o carro no Google Maps, vou até ele e mando, via celular, uma mensagem que destrava porta. Ando uma hora com o carro, estaciono onde for e vou embora.

As pessoas vão sair mais de casa e ficar menos tempo vidradas no computador?
Eu gostaria de dizer que sim, mas não acho que isso vá acontecer. As pessoas se reúnem fora de casa para eventos em que vão assistir a alguma apresentação de conteúdo, como um debate político ou um show. Mas essas apresentações têm o formato de mídia antigo, em que poucas pessoas falam para muitas ao mesmo tempo. E os dispositivos portáteis militam contra isso. Já há casos de pessoas que não conseguem assistir a um filme de duas horas sem mandar um SMS. Quer dizer, vai ser cada vez mais complicado para as multidões se verem como grupo. Mas, certamente, as pessoas sairão das mesas, já que você não precisa de um monte de cabos. Haverá menos dores na coluna pelo simples fato de não ser mais preciso ficar sentado.

Outra grande tendência de 2010 foi a divisão da internet em espaços fechados, sem comunicação entre si, como Facebook, Google, as redes iTunes e a PlayStation Network. Tim Berners-Lee acabou de escrever um artigo para a revista Scientific American (leia acima) em que mostra como essas redes fechadas podem acabar com a natureza livre da internet.
Google, Facebook e Apple querem criar silos verticais que unam seus amigos, seus dados, seus contatos, o algoritmo do seu coração, o que for, como se fossem coisas que pudesse ficar isoladas umas das outras. Embora eu reconheça que essas iniciativas realmente ameaçam a liberdade da web, por outro lado, eu acho que elas são muito frágeis. Não é preciso muito para acabar com a Microsoft. A própria Apple, que já morreu em outra oportunidade, é basicamente o Steve Jobs. Se ele morrer, ela morre junto. Acho que o Google é quem pode sobreviver por mais tempo, mas, mesmo assim, são só dois ex-estudantes esquisitos de Stanford. Se você for um ditador de um país qualquer e estiver com raiva do Google, basta matá-los. Veja Bill Gates. Você acha que ele queria destruir a Microsoft quando saiu? Ele só ficou entediado e preferiu ir curar a malária. É um tipo de idealismo de poetas, pintores, artistas. E não é só Gates que é assim, todos eles são assim.

Você esteve no Brasil há dez anos e agora está de volta. O que mudou?
O país tem crescido muito e ganhou importância. Mas, principalmente, a população é muito jovem. Estamos vendo, especialmente na Europa, o lado sinistro de ter uma população velha. Ninguém faz nada novo. A Europa perdeu a capacidade de esquecer. O Brasil é o oposto. Ninguém olha para trás, o que é saudável. Claro que é bom conhecer sua história, mas é muito ruim ficar preso apenas a ela. Fora que esta é a geração mais conectada e mais culta do país, não no sentido da educação formal, mas de saber o que está acontecendo. E parece ter medo de arriscar.

E em termos de cultura digital brasileira?
Eu não gosto do tecnobrega. Parece umas crianças brincando no quintal. Tudo bem, tem o lado pirata, de reciclar músicas para criar músicas novas, mas isso não é muito diferente de roubar eletricidade da rede pública. Adoraria dizer que a aproximação do então ministro Gilberto Gil com a cultura do software livre irá solucionar os problemas do Brasil, mas isso não vai acontecer.