sábado, 7 de julho de 2012

Julia Stone - Bloodbuzz Ohio

Resistência em Ipanema - Hermano Vianna

Essa peculiar
conjunção de
repressão
política com
liberdade
criativa ainda
precisa de
estudo
aprofundado


Quando me mudei para o Rio, em 1977, o Teatro Ipanema já era referência. Não peguei seus tempos heroicos, quando se transformou da casa de Rubens Corrêa em palco com linha estética vigorosa. Mas foi ali que vi alguns dos espetáculos mais marcantes: da estreia da “Página do relâmpago elétrico”, de Beto Guedes, a várias apresentações de “Aquela coisa toda”, do Asdrúbal Trouxe o Trombone. Era uma programação eclética, de “abertura”, espécie de pré-comemoração do final dos anos controlados pela Censura Federal. Só aos poucos fui entendendo a história daquele teatro. E assim, na minha arqueologia artística carioca, sempre acabava me deparando com os tempos em que, “todos os dias”, “todo mundo” via “Hoje é dia de rock”.

Essa peça de José Vicente era bem mais que fenômeno teatral: virou rito geracional, símbolo de época que descobria as viagens contraculturais mesmo sob tortura. Não dava para entender direito como aquele colorido manifesto de resistência hippie se manteve em cartaz com tanto sucesso em anos de chumbo. Eu me sentia como alguém que chegara atrasado numa festa estranha com gente esquisita: “Hoje é dia de rock” ficou envolto por anos na nebulosidade que cerca mitos distantes.

Semana passada, no reinaugurado Teatro Ipanema, o Asdrúbal Trouxe o Trombone (numa raríssima e emocionante reunião de todos os seus componentes) me apresentou o texto da peça, livre de meus devaneios. Foi como se várias etapas da minha vida, e da cultura brasileira, estivessem remixadas num mesmo palco, que nos transportou não para o Rock in Rio, mas para uma aldeia de Minas Gerais. Viagem surpreendente. Regina Casé, lendo as falas da personagem Isabel, afirmou — com tom de inocente autoestima — algo assim :
“ Quem nasce  aqui só pode ser caipira”. Lembrei do “Esquenta!” que foi ao ar no domingo de São João, quando fizemos homenagem ao novo interior pós-caipira do Brasil, agora motor econômico nacional. Longo caminho desde “Hoje é dia de rock”, início dos anos 1970, quando o país se descobria pós-rural, pósgrotões: hoje também nos redescobrimos modernos, cosmopolitas — mas ainda temos um pé na roça (mesmo uma roça que ouve Elvis pelo rádio, ou Alabama Shakes pela internet) e podemos até cultivar a nostalgia de uma pureza doidona perdida.

Antonio Bivar, em “Longe daqui aqui mesmo”, seu delicioso livro de memórias (que traz o mesmo título de sua peça que estreou um pouco antes de “Hoje é dia de rock”), lembra o ambiente dos ensaios: “Enquanto o elenco de ‘Longe daqui’ representava uma comunidade, o de ‘Hoje é dia’ podia se dar ao luxo de viver a experiência comunitária. E, fazendo esse laboratório, viajavam em grupo para Paraty e para as montanhas, à cata de uma aproximação maior entre eles e a natureza, tanto no sentido humano quanto no sentido cósmico. O elenco de ‘Hoje é dia’ era mais aristocrático, o de ‘Longe daqui’, mais pop. ‘Hoje é dia’ em Ipanema, ‘Longe daqui’, em Copacabana.” Ando cada vez mais fascinado por esse momento do Rio, quando a cidade vivia ebulição criativa inigualável, apesar do regime político medonho.

Em Brasília, um casal de censores disse pessoalmente para Bivar que não liberaria “Longe daqui”: “A peça é pornográfica e atenta contra a moral e os bons costumes, além de passar uma mensagem pessimista.” Para tentar a liberação com outro censor, seguiu a recomendação de Odete Lara para ser bem charmoso: “Telefono à recepção pedindo que me providenciem um secador. Lavo os cabelos, seco-os com o secador, agito-o com os dedos e pronto. Tipo Gal Costa.” Mesmo assim teve que mudar o final da peça, “com todo mundo se arrependendo da liberdade”. Incrível, parece uma viagem coletiva — censores e censurados — de ácido que, paradoxalmente, acabou produzindo muito daquilo que houve de mais consistente e experimental na cultura brasileira.

Recentemente, André Midani me presenteou com a audição de material nunca lançado do festival Phono 73. Só maluco beleza, inclusive Raul Seixas, em seus momentos de mais esplendorosa ousadia sonora,
mesmo com Censura ali colada, cortando os microfones de Gil e Chico em “Cálice”. Essa peculiar conjunção de repressão política com liberdade criativa ainda precisa de estudo aprofundado. Em outro livro de memórias, “Verdes vales do fim do mundo”, Bivar descreve muitos detalhes do cotidiano dos brasileiros em seu exílio — mais ou menos imposto ou voluntário — londrino. Gil, Caetano, Dedé, Sandra, Sganzerla, Helena Ignez, Hélio Oiticica, Jorge Mautner, Zé Vicente, Cláudio Prado, Bressane, Peticov, Péricles Cavalcanti, Haroldo de Campos e tantos outros, mandando brasa. Incrível que Londres não tenha aproveitado a presença brasileira e só agora comece a se dar conta do que perdeu. Havia uma incompatibilidade entre as experiências aqui e lá. Como escreveu Isabel Câmara, outra grande dramaturga, na época: “Não aceitamos o ‘the dream is over’ de John Lennon porque nosso sonho sequer começou. (...) E ainda, sim, estou viva, apesar do horror. A travessia do deserto ainda salvará muitos de nós. Tudo está começando. É tocar o barco.”

Deixo de lado a nostalgia. Muita gente continua tocando o barco do sonho carioca. Tudo o que, por exemplo, Ernesto Neto faz ou promove me parece confirmação de que hoje continua a ser dia de nosso rock. Por sinal, sua exposição “Não tenha medo do seu corpo” abre terça-feira em São Paulo, depois de uma festiva “instabilidade existencial” em ateliê do Centro do Rio.
O Globo
06/07/2012

Cold Specks - Blank Maps

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Mash Up

Metade da minha habilidade mental é para fazer conta, os outros 78% são para a música.

By @rodrigogbatista

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Destaque da TV

João Saldanha: Considerado o melhor comentarista esportivo que o país já teve, Saldanha também se envolveu na parte técnica da seleção, chegando a ser convidado para dirigir o time. O documentário mostra sua carreira e militância política durante os anos da ditadura.
Canal Brasil, 7/7, 21h

JOÃO SALDANHA
Polêmico, imprevisível, irreverente e revolucionário, o gaúcho João Saldanha (1917-1990) ficou conhecido como o comentarista que o Brasil inteiro consagrou. João conquistou o Rio de Janeiro nos anos 30, ao lado de Heleno de Freitas, no time de Neném Prancha, nas areias da Praia de Copacabana. Apaixonado pelo Botafogo, Saldanha foi jogador e treinador campeão do time de Garrincha, Nilton Santos e Paulo Valentim. Sempre foi bom de briga e de debate. Crítico diário da seleção brasileira, João aceitou o desafio, virou técnico, convocou as suas feras e classificou o Brasil para a Copa de 1970. Militante histórico do Partido Comunista Brasileiro, acabou demitido da seleção pelo governo militar e seguiu carreira na imprensa, se transformando no mais popular jornalista esportivo do país. Inesquecível para os amigos e temido pelos adversários.


Novo Homem-Aranha tem data de validade

Por Bruno Yutaka Saito | De São Paulo

Quem tem criança em casa sabe. Elas adoram rever os mesmos desenhos e filmes e não querem ser surpreendidas. Preferem saber o que vai acontecer na cena seguinte, para que suas expectativas apenas se confirmem. "O Espetacular Homem-Aranha", que estreia amanhã no Brasil, apela ao infantil dentro de cada um.
Dez anos se passaram desde que o primeiro filme baseado no personagem das HQs, dirigido por Sam Raimi, chegou às telas - e apenas cinco desde o último episódio da trilogia. Na Hollywood de hoje, cinco anos representam uma eternidade, tempo suficiente para que uma produção seja considerada velha e merecedora de refilmagem. Cronologicamente, este novo longa, agora dirigido por Marc Webb, é o quarto filme da franquia. Mas, na terminologia em moda, trata-se de um "reboot".
No mundo da tecnologia, apela-se ao "reboot"/"restart" quando um aparelho trava. É um dos últimos recursos para fazer um computador voltar a funcionar, geralmente uma "gambiarra". Nos "antigos" filmes da série "Homem-Aranha" tudo fluía, do ponto de vista artístico e comercial. Alguns desentendimentos artísticos e comerciais no momento de criação do quarto filme, como a dificuldade em achar uma nova trama, a relutância do diretor em aderir ao 3D, alto cachê dos atores, foram suficientes para o acionamento do "reboot".
É o velho e conhecido dilema de arte versus indústria cultural, com a diferença de que, com "blockbusters", não há vergonha em se assumir como produto. "O Espetacular Homem-Aranha" apresenta uma ou outra mudança em relação ao filme de 2002, mas na essência traz a mesma história, apenas com embalagem diferente para seduzir um público sedento por "novidades" (mas não muito ousadas para desagradar ao consumidor conservador).
Conta-se de novo a história do órfão Peter Parker (Andrew Garfield). Após ser picado por uma aranha, o adolescente franzino adquire superpoderes e combate o crime, sob a alcunha de Homem-Aranha. Desta vez, explica-se o que aconteceu aos pais de Parker. Em vez do Duende Verde, o vilão é Dr. Curt Connors (Rhys Ifans), que se transforma em um lagarto gigante; e, no lugar da mocinha Mary Jane, está Gwen Stacy (Emma Stone).
Como entretenimento, "O Espetacular Homem-Aranha" funciona como um parque de diversões de ponta para todas as idades. Mas seu principal mérito, o enfoque no lado humano (os conflitos do adolescente cheio de problemas que se torna um super-herói), em vez da ação incessante, já estava na versão de 2002. Não há justificativa, que não seja de ordem econômica, para um "remake". Chama mais atenção a diminuição do tempo da vida útil dos filmes do gênero. Chega a lembrar George Lucas, que, de tempos em tempos, relança nos cinemas a série "Star Wars" com modificações sutis.
Nos dias de "Superman 2" (1980), a questão era saber se as sequências eram tão boas quanto os originais ou apenas caça-níqueis. Quando filmes como "A Marca da Pantera" (1982) retomavam produções com décadas de existência, "remakes" tinham o mérito de interpretar uma realidade antiga com novos olhos. As "prequências" (ou "prequel"), outro "gênero" em moda, é um meio de retomar personagens rentáveis e satisfazer a curiosidade em saber o que aconteceu antes ("X- Men: First Class", de 2011). Mesmo os "reboots" podem surpreender, quando lançam um olhar inusitado sobre velhos personagens, como em "Star Trek" (2009) ou "Batman Begins" (2005). Mas "O Espetacular Homem-Aranha" representa um caso único, por enquanto. O futuro apontado por esse filme de obsolescência programada é o do eterno "reboot".
Rodapé:


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Direção: Marc Webb
Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Sally Field e Martin Sheen

Nome Original: The Amazing Spider-Man
Site Oficial: Visite
Duração:104 minutos
Ano: 2012
País: Estados Unidos

 

O fotógrafo que deu vida à morte

HORST FAAS (1933-2012)

Por Dorrit Harazim em 03/07/2012 na edição 701

Reproduzido da piauí nº 69, junho/2012

“Quando um governo fala a verdade, o repórter desempenha um papel de relevância menor. É quando um governo mente que o poder maior do jornalismo se revela”, ensinava David Halberstam, um dos grandes nomes do jornalismo americano da era Vietnã a exercer o ofício com convicção.
Halberstam tinha 28 anos de idade no início da década de 60 quando fez parte do primeiríssimo pelotão de repórteres a desembarcar em Saigon. Na época, a sociedade americana ainda vivia na ilusão de que o conflito no Sudeste da Ásia, que parecia incipiente e se transformaria na pantanosa Guerra do Vietnã, não lhe dizia respeito. “Fui catapultado para um momento e um lugar da história em que ser jornalista fez diferença”, declarou em 1964, ao receber o prêmio Pulitzer.
Junto com Halberstam, quatro outros jornalistas foram se embrenhar no Vietnã para apurar o que havia por trás dos letárgicos comunicados das Forças Armadas dos Estados Unidos. Neil Sheehan e Malcolm Browne eram americanos. O ebuliente Peter Arnett era neozelandês. E Horst Faas era alemão, como denunciava o forte sotaque do qual nunca se desvencilhou. Como editor de fotografia da agência noticiosa Associated Press em Saigon, Faas é considerado até hoje o mais completo fotojornalista de guerra.
Cada integrante desse celebrado núcleo duro recebeu pelo menos um prêmio Pulitzer nos anos que se seguiram. Individualmente, porém, o trabalho do berlinense Faas foi o mais decisivo. Foi ele, sobretudo, quem encurtou a distância entre a sala de jantar do cidadão americano e a crueza da guerra do outro lado do mundo.
Até então o povo vietnamita era uma abstração de olhos puxados. Faas lhe deu humanidade individual. Com suas três câmeras Leica sempre penduradas no pescoço, conseguiu captar silêncios, nuances de medo, pavor, dor e resignação. Traduziu temperaturas, cheiros, texturas. Tudo sem vestígio de retórica fotográfica. Simplesmente aproximou a nação americana da vivência da guerra travada em seu nome.
Foto dramática
Horst Faas morreu no dia 10 do mês passado em Munique, aos 79 anos. Estava paraplégico desde 2005, consequência de um coágulo na coluna vertebral detectado em Hanói, durante um dos concorridos seminários de fotojornalismo de que participava mundo afora. Continuou a promover simpósios e a escrever livros sobre o métier até o fim da vida. Halberstam, que morreu num acidente de carro em 2007 e era pouco dado a efusões verbais, definiu assim seu antigo companheiro de alojamento em Saigon: “Não consigo me lembrar de ninguém que permaneceu mais tempo, correu mais riscos e demonstrou maior devoção ao trabalho e aos colegas do que ele. Eu o definiria como nada menos do que um gênio.”
O talento de Horst Faas com uma câmera na mão é fácil de atestar: basta olhar para as fotos de sua autoria. Mais difícil é dimensionar corretamente o papel que desempenhou debruçado sobre uma mesa de luz, como editor de fotografia da AP. Esta talvez tenha sido sua obra mais decisiva para o registro da história.
Coberturas de guerra, assim como de acidentes, chacinas e tragédias em geral, podem dar fama imediata ao fotógrafo que captar um instantâneo de impacto. Nas mesmas circunstâncias, o trabalho do editor, por ser anônimo, tende a ser particularmente ingrato. Além de operar à sombra da produção alheia, o titular do cargo com poder de decisão sobre quais fotos publicar e quais descartar raras vezes é contemplado com o apreço de seus subordinados.
A atuação do alemão Faas na redação da AP em Saigon, instalada no 4º andar de um prédio da rue Pasteur, foi tão singular quanto sua safra de fotos próprias. Ao longo de mais de dez anos, ele arregimentou, treinou e comandou uma eclética plêiade de retratistas da guerra. Gostava de garimpar talentos novos junto à população civil local. Munia-os com rolos de filmes e câmeras e ensinava-os a olhar e ver, antes de despachá-los para a rua. Repassou os rudimentos de fotografia com os repórteres mais consagrados do staff da AP e determinou que todos deveriam ter uma máquina à mão. Sempre.
Essa norma violava a lei trabalhista americana que proibia jornalistas de executar tarefas de fotógrafos, mas acabou prevalecendo como exceção no Vietnã. E foi graças a ela que o correspondente Malcolm Browne sacou sua câmera numa manhã de junho de 1963 e conseguiu registrar a primeira autoimolação de um monge budista em protesto contra o regime sul-vietnamita apoiado pelos Estados Unidos.
A cena do monge na posição Flor de Lótus, queimando impassível até a morte, no meio da rua, sem proferir um único som, durou segundos. Para Browne, uma eternidade. Até hoje ele se debate com o fato de ter apenas fotografado a cena, sem impedir seu desfecho. Mas foi essa foto, em parte, que levou a Casa Branca de John F. Kennedy a repensar seu apoio público ao ditador Ngô Ðình Di?m.
Falso retrato
Faas tinha sido ferido nas pernas por uma granada em 1967, durante uma incursão à região sul do Vietnã, e por isso ainda convalescia quando a maciça Ofensiva do Tet lançada pelos guerrilheiros comunistas em 1968 chegou a Saigon. Até então era preciso sair a campo para retratar a guerra. Com o ataque do Tet, a guerra chegou à soleira da porta da AP e Faas dirigiu toda a cobertura trabalhando de muletas.
Foi no meio do segundo dia de confrontos em Saigon, 1º de fevereiro de 1968, que o veterano Eddie Adams, um ex-fuzileiro da Guerra da Coreia, adentrou a agência e esvaziou sua safra de rolos de filme. O último negativo, uma vez revelado no banheiro da redação transformado em câmara escura, entrou para a história da fotografia de guerra com o título de Execução em Saigon. Mostrava o chefe de polícia de Saigon, general Nguy?n Ng?c Loan, uniformizado e de braço estendido, disparando à queima-roupa contra a têmpora de um sul-vietnamita de camisa xadrez, que tinha as mãos amarradas nas costas. A foto capta o instante em que a bala entra na cabeça do prisioneiro vietcongue.
Naqueles tempos, a transmissão de uma única imagem levava em média vinte minutos e era feita por meio de um circuito de radiotelefonia via Paris – isso, quando não caía a linha e era preciso retomar do zero a transmissão.
 Ao ver a foto, o repórter Peter Arnett parou de datilografar uma matéria na sua máquina de escrever e começou a entrevistar o autor da imagem que mudaria o curso da guerra. Eddie Adams, falecido sete anos atrás, posteriormente sustentou que o instantâneo demonizou injustamente o militar sul-vietnamita, por ser um falso retrato do bem contra o mal, já que as circunstâncias por trás daquela cena eram muito mais complexas (o vietcongue teria decapitado vários civis sul-vietnamitas).
Poder do jornalismo 
Em 1972, quando a percepção do atoleiro vietnamita como cemitério de vidas já parecia inteiramente assimilada pela opinião pública americana, Horst Faas conseguiu sacudi-la uma vez mais.
Entre os mais de setenta jornalistas que morreram cobrindo a guerra do Vietnã estava Hu?nh Thành M?, um ator a quem Faas tudo ensinou e transformou em fotógrafo. Seu irmão caçula, Hu?nh Công Út – mas apelidado por Eddie Adams de Nick Út e é com esse nome que entraria para a galeria dos grandes –, decidiu então juntar-se à tropa de Faas. É de sua autoria a imagem mais do que célebre de uma menina nua numa estrada de terra. Ela corre com os braços abertos e a pele em frangalhos pela ação das bombas de napalm made in usa.
Foi graças ao pulso de Faas que o mundo viu a foto – o editor alemão decidiu atravessar a hierarquia de comando da AP e assumiu a responsabilidade de transmitir a fotografia, considerada polêmica demais pela chefia da agência.
Nascido nos anos de ascensão de Hitler e membro adolescente da Juventude do Führer, Horst Faas sabia, como Halberstam, que o poder do jornalismo acaba sendo maior do que o de um governo que mente. 
***
[Dorrit Harazim é jornalista]
------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Rodapé:

O premiado fotógrafo Horst Faas cobriu a guerra do Vietnã e trabalhou por mais de 50 anos na Associated Press.

Galeria de fotos de Horst Faas






O fotógrafo Horst Faas no sul do Vietnã.